Retrospectiva de Leituras: 2024
Apesar de eu não ter postado nenhuma resenha sobre os livros lidos em 2024, este ano foi um dos melhores - se não o melhor - do meu histórico de leituras. Começar a ler clássicos foi um caminho sem volta que eu me sinto orgulhosa em ter começado a trilhar depois que retomei o hábito da leitura em 2020, quando, em meio à quarentena, eu tinha dificuldades em focar por mais de 5 minutos durante uma leitura.
Da lista originalmente criada para este ano acabei lendo apenas 4 obras, e as outras 7 fui escolhendo pelo meio do caminho depois de abandonar algumas que não fluíram, como "O Fantasma da Ópera", de Gaston Leroux (que comecei a ler 3 vezes e simplesmente não achei interessante), e "Phantastes", de George MacDonald, que apesar de ser lindo e bem recomendado, estava prendendo a minha atenção mais pelos erros de português da edição do que pela história (que realmente parece muito bonita, mas que merece ser lida numa edição melhor). Houve, ainda, o abandono de "Incidente em Antares", de Érico Veríssimo, que, depois de tanta procura por uma edição boa no sebo, me impressionou demais logo no início e foi deixado de lado para uma próxima oportunidade (com a certeza de que não vou reler os capítulos em que são narrados os assassinatos das famílias protagonistas da história). 2024, aliás, foi o ano em que eu abandonei leituras empacadas e segui para as próximas sem culpa. Em 2025 pretendo fazer o mesmo.
Falando sobre os lidos, como não me lembro da ordem em que li, vou mencionar brevemente cada um partindo daquele que menos gostei até chegar naquele que vou considerar o melhor do ano:
"O Colar da Rainha" - Alexandre Dumas
Esta foi mnha primeira experiência de leitura de Alexandre Dumas, um autor famoso e bem recomendado mas que, ao menos, com esta obra e nesta edição, não me convenceu. A ideia dos Clássicos Light é boa mas, na minha opinião, resumiu demais uma obra que talvez seja excelente em sua versão integral, deixando o texto parecido com uma história de gibi: apenas diálogos, praticamente sem contexto ou desenvolvimento de personagens e uma história bem fraquinha, apesar de criativa e com potencial para ser divertida.
A Edição faz parte do Box Clássicos Light, da Editora Nova Fronteira.
"O Mágico de Oz" - L. Frank Baum
Um clássico bem conhecido com uma história leve e cheia de lições sobre amizade e coragem como qualquer bom clássico infantil. Leitura fácil, bonita e gostosa numa edição linda dos Clássicos Zahar, que eu tinha guardada há anos e ainda não tinha lido.
"Um Homem Chamado Ove" - Fredrik Bakman
Ganhei esse livro em 2021 e queria ler antes de assistir ao filme ("O Pior Vizinho do Mundo"). O resultado é que agora não quero assistir ao filme por medo de ser pior que o livro kkk. Esta é uma história linda e muito cativante, de leitura leve e fluída sobre um senhor viúvo, ranzinza e sem vontade de viver que encontra em novas amizades um novo sentido para acordar todos os dias.
A Edição é da Alfaguara.
"Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente" - Rubem Alves
Eu não me lembro quando foi a primeira vez que li algo do Rubem Alves. Talvez tenha sido a lindíssima reflexão sobre os Ypês Amarelos ou o conhecido trecho do livro "Ostra Feliz não faz Pérola", mas lembro-me que comecei a procurar por mais textos dele quando precisei de uma visão mais positiva sobre viver. Esse livro é cheio dessas reflexões, com passagens que vão desde à infância até a velhice e como as duas formas de ver a vida se completam.
Edição da Editora Planeta.
"Daisy Jones and the Six" - Taylor Jenkins Reid
Esta é outra história que me deixou com medo de assistir à adaptação para a TV e me decepcionar. Um livro que, quando vi numa resenha que era contado em forma de entrevistas, não me chamou a atenção mas que me convenceu depois de tantos comentários positivos, e acabou por ser um dos mais legais que eu já li. O livro conta a história de uma banda chamada The Six que, quando começa a decolar rumo ao sucesso se une a outra cantora que está chegando ao ápice da carreira: Daisy Jones. Inspirada na história da banda Fleetwood Mac, a narração envolve do começo ao fim com uma escrita impecável e um final muito bonito.
A Edição é da Paralela.
"O Sol é para Todos" - Harper Lee
Todo leitor já deve ao menos ter ouvido falar deste livro. Ganhador do Prêmio Pulitzer de Literatura, "O Sol é para Todos" fala sobre a visão de duas crianças sobre o mundo na pequena cidade em que vivem, numa época em que se vivia de uma forma mais simples, mas com muito racismo, preconceitos com aqueles que lutavam contra os casos e sobre como um pai amoroso ensina seus filhos sobre a vida com seu próprio exemplo. Uma história sensível e de leitura fácil que nos marca e que ficou num lugar especial entre os livros que mais gostei. A Edição é da José Olympio.
"O Último Dia de um Condenado" - Victor Hugo
O livro não está na foto, mas é um livrinho pequenininho, bem curtinho, mas que dói a cada palavra que a gente lê. Um condenado confesso vive seus últimos momentos passando pelo tribunal, lembrando de sua família, refletindo sobre aqueles que já estiveram na mesma cela esperando pela execução da mesma sentença, e sentindo o pânico de saber que seu fim está próximo, tendo ainda a esperança de que seu destino possa mudar até às 16 horas...
A Edição é da L&PM Pocket.
"As Intermitências da Morte" - José Saramago
Sempre fui curiosa para ler "Ensaio Sobre a Cegueira", mas, apesar de ter comprado os dois, "As Intermitências da Morte" me pegou primeiro, e eu não me arrependi em momento algum. Num país fictício, a população é surpreendida quando, a partir de certo dia, as pessoas deixam de morrer. Com isso, reflexões sobre os impactos na política, na economia, na religião e na moral fazem desta obra uma genialidade imensa. A morte, humanizada pelo autor, após receber cobranças sobre sua paralização, decide então enviar cartas com avisos de sete dias para que quem recebê-las possa se preparar e acertar as contas antes de sua partida. Uma leitura um pouco difícil no começo, por conta da pontuação usada pelo autor, mas tão interessante que é impossível de parar. A Edição é da Companhia das Letras.
"O Homem que Ri" - Victor Hugo
Depois de ler "Os Miseráveis" todo livro pode ficar sem graça se você começar a ler com a mesma expectativa. E fica mesmo, a não ser que o livro seja "O Homem que Ri", que terminei há meses e estou aplaudindo até agora (apesar de ter odiado o final no primeiro momento, agora, eu entendo). Neste livro, Victor Hugo capricha tanto nas digressões para explicar a hierarquia das famílias nobres da Inglaterra que, se você não teve paciência para as digressões d'Os Miseráveis, vai ficar com saudade das descrições sobre a rede de esgotos de Paris enquanto lê páginas e mais páginas sobre a sociedade inglesa... Mas vai valer a pena. Uma história não tão fácil de ler, mas muito emocionante, com ação, drama, tragédia, e com um dos melhores personagens criados por Hugo: Gwynplaine, que pode até ter inspirado o Coringa da DC (segundo dizem) mas não tem nada de psicopata: um homem de coração bom, honesto, correto e apaixonado pela doce Dea, que enxerga nele toda a beleza que os outros não veem. A Edição é da Martin Claret.
"Os Miseráveis" - Victor Hugo
Eu não tenho palavras pra este livro. Sério.
Nem vou tentar começar a desenvolver algo, pois nada vai ser suficiente para descrever a maravilha que Victor Hugo criou. Vou me limitar apenas a dizer que é o livro mais incrível que eu já li e que tenho muita convicção de que não vai ser nada fácil ler outra obra tão grandiosa quanto esta.
Outro ponto que vale a pena mencionar é que Jean Valjean é um personagem inesquecível e impossível de não amar.
A leitura não é fácil, fica maçante às vezes e não pode ser feita com pressa (assim como nenhuma outra, na minha opinião), mas vale a pena. E como vale. Eu me sinto feliz e orgulhosa de mim mesma por poder dizer que li esta obra-prima da literatura. A Edição é da Martin Claret. Um livro lindo para ter na estante, porém, pesadíssimo e nada confortável para ler se você, assim como eu, tem o costume de ler deitado.
Leituras em andamento:
"Quincas Borba" - Machado de Assis
Este estava na lista original de 2024 e estou passando da metade agora. Apesar de ainda não estar num ponto de poder concluir nada sobre a história, não parece que vai ser um livro tão legal quanto "Memórias Póstumas de Brás Cubas" ou "Dom Casmurro". Sobre a edição, vale a pena dizer que é de um box que comprei da Editora Família Cristã e que, infelizmente, está lotada de erros que vão desde digitação e vírgulas até concordância; por isso, se você pretende adquirir, recomendo que busque por outra editora.
"O Nariz" - Nikolai Gógol
Este livro bem curtinho é um conto muito bizarro e engraçado sobre um barbeiro que, acostumado a trabalhar embriagado, numa manhã, encontra um nariz no meio do pão que sua esposa assou. O dono do nariz, na mesma manhã, ao acordar, se olha no espelho e não vê nada além do espaço onde deveria estar seu nariz em seu rosto.
A Edição do e-book é da Antofágica.
Para 2025, eu espero voltar a postar as resenhas. Isso faz parte do meu compromisso comigo mesma de fazer mais o que me faz bem. A vida fica mais bonita quando tem sentido, não é mesmo?
Feliz 2025!

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