Resenha: O Homem que foi para Marte porque queria ficar sozinho
Eu confesso que, quando terminei o livro, fiquei com a sensação de que criei expectativas altas demais e, por isso, me decepcionei um pouco. Mas é um livro bom. Acho que o choque também pode ter se dado por eu estar alternando algumas leituras com o final da leitura de Os Miseráveis. Comparar a escrita de Victor Hugo com qualquer outro escritor é simplesmente injusto, mas não dá para ler um em seguida do outro sem notar a diferença.
De qualquer maneira, é um livro bom.
Thomas Major é um cientista ranzinza e fechado para o mundo que, do nada, agarra a oportunidade de ser o primeiro homem a ser enviado para Marte, com a missão de preparar o planeta para receber os primeiros humanos alguns anos mais tarde. Mau humorado e sem paciência para pessoas, ele está no paraíso: sozinho, fazendo palavras cruzadas e ouvindo música com o universo sendo visto diretamente da sua janela.
Porém, ao tentar telefonar da nave para sua ex-mulher, ele acaba fazendo contato com Gladys, uma senhora com sintomas iniciais de demência e que cria seus dois netos enquanto seu filho, o pai das crianças, está na prisão. Mesmo pedindo que Gladys apague seu número para não lhe ligar mais, Thomas recebe uma ligação de James, um menino que sonha em ser cientista. A partir daí, uma amizade nunca imaginada começa a mudar o modo como Thomas enxerga o mundo e as pessoas.
Claramente, a história se trata de uma ficção científica e o próprio autor se explica dizendo que não entende nada de ciência além das pesquisas superficiais que fez sobre alguns assuntos. Por isso, buscar sentido em uma linha telefônica que faz ligações do meio do espaço para a Terra, entre outras situações, não é recomendado. Melhor é curtir a leitura, que é de fácil compreensão e que, pra mim, parece um roteiro de um filme que teria tudo para se tornar um clássico da Sessão da Tarde.
Para quem procura uma história leve e, dependendo do seu tipo de humor, divertida, é uma boa pedida. Recomendo.

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