Resenha: O Meu Pé de Laranja Lima
"- Não faz mal, eu vou matar ele.
- Que é isso, menino, matares teu pai?
- Vou sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu."
O Meu Pé de Laranja Lima é um livro que todo leitor já deve ter ouvido falar. Estava na minha lista há meses mas, em meio a um estado depressivo, esperei até que eu me sentisse melhor para ler. Coincidentemente, ele entrou em promoção na Black Friday e comprei.
Eu me lembro de ter ouvido falar dessa história desde a minha infância. Tudo o que eu ouvia era: "é muito triste, mas muito bonita", e eu me lembro da novela produzida pela Band em 1998 (que não consegui assistir devido ao horário da escola). Ou seja: pra mim, era um clássico que eu queria conhecer. E ainda bem que conheci.
Zezé é um menino de 5 anos que, para que fosse possível entrar na escola, precisava mentir que tinha 6. Parte de uma família muito pobre, com muitos irmãos, o pai desempregado e sua mãe trabalhando no turno da noite, ele usa sua imaginação para criar travessuras e brincadeiras que acabam em surras que ele pensa merecer por ser descrito por sua família como uma criança ruim e encapetada. Menino amoroso, esperto e amigável, ele supera as surras e, junto ao seu amigo Minguinho - o pequeno pé de laranja lima - cria histórias de aventuras como nos filmes de Buck Jones e faz da pequena árvore sua confidente, criando uma relação bem diferente da que ele tem com seus familiares.
Em meio a isso, Zezé conhece o senhor Manoel Valadares, que mora sozinho com seus dois pássaros e tem um carrão no qual Zezé tem vontade de pegar carona e voar como um morcego, e essa amizade pouco provável muda a maneira de Zezé ver a vida, fazendo com que ele conheça a ternura e o amor entre pai e filho que jamais conhecera.
Uma história profunda, cheia de significados e de reflexões sobre como uma criança vê o mundo e suas dificuldades e, mais ainda, sobre como tudo o que uma criança espera é amor.
"O Meu Pé de Laranja Lima" me marcou. Me fez chorar e ficar revoltada em muitas partes, e ainda me pego refletindo sobre o que faz com que os adultos se esqueçam de como é ser criança. Aliás, me peguei pensando em como uma criança entenderia a relação de Zezé com Minguinho, seus familiares e seu Portuga - coisa que eu não posso entender pois também me esqueci de como ver o mundo como uma criança...
Recomendo, mas tenha um lencinho em mãos.
"Olhei Minguinho com ternura. Agora que eu descobrira mesmo o que era ternura, em tudo que eu gostava colava ternura."

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